sexta-feira, 19 de junho de 2009

A ciberditadura nas empresas

Em muitas empresas, impera uma política de bloqueio a alguns sites, na intenção de impedir que seus funcionários desperdicem horas de trabalho na internet. A intenção, inicialmente, é válida, pois algumas pessoas realmente não têm juízo e, em vez de trabalhar, passam horas em MSN, Youtube, Orkut e até sites de pornografia. Impedir o acesso a algumas páginas é uma estratégia de defesa e representa um direito das empresas, sempre temerosas por vazamento de informação. A melhor alternativa, nesse caso, seria deixar as tarefas pessoais para serem realizadas na internet de casa, e não no local de trabalho.

Mas é importantíssimo que a empresa consulte seus funcionários ou, pelo menos, explique o que pode e o que não pode ser feito, com relação ao uso da internet. Ou então, tire logo o acesso à informação via web, causando a ira de todos os funcionários e implantando de vez esse regresso disfarçado à época da censura e da ditadura no país, em plena época de inclusão digital.

Pesquisas já apontaram que as pessoas que navegam dentro de um limite de menos de 20% do tempo de trabalho são mais produtivas e concentradas, rendendo cerca de 10% a mais em relação àquelas que não têm contato com a internet. Isso é sério! Pode ler aqui. Eu, por exemplo, preciso de um tempo para relaxar e depois voltar à labuta. Trabalho com ilustração, preciso ser criativo e, portanto, preciso ver coisas, nem que seja pela janela do computador. Forçaria a barra ser criativo se só pudesse ficar sentado na frente de um computador sem internet, trancado num escritório, com espaço apenas para cafezinho e banheiro (não que seja impossível ser criativo num ambiente assim...). No Brasil, 64% dos trabalhadores preferem abrir mão do intervalo para o cafezinho e ficar mais tempo na internet. Esse dado também é sério, leia aqui. Ninguém consegue trabalhar direto, sem uma pausa, sem respirar!

Para quem utiliza programas de ilustração digital, a internet é um ótimo caminho para esclarecer possíveis dúvidas, pois existem muitos tutoriais bons, geralmente em blogs, que contribuem para o aprimoramento do trabalho. Quem desenha, sabe que, às vezes, precisa consultar imagens de referência no Google, pois ninguém decora a quantidade de teclas de um piano ou quantas janelas um Airbus possui. Outros profissionais também têm motivos (profissionais!) para acessar a internet. O problema da restrição à internet, no ambiente de trabalho, é que ela ocorre tanto para funcionários disciplinados quanto para aqueles que abusam. Ou seja, não importa se você é bom funcionário ou não. A empresa sempre quer o total controle, até na escolha de seus futuros funcionários, que têm a vida inteira pesquisada na web, antes mesmo de serem contratados.

Resolvi escrever esse texto porque algumas empresas estão ultrapassando os limites. A começar pelo fato de a restrição nem sempre ser vigente nos computadores dos chefes, que podem acessar QUALQUER site. MSN, Twitter e Orkut não me interessam e, talvez por isso, não escrevi antes. Mas peraí... bloquear blogs?! Como assim? O número de blogs vem aumentando bastante devido à facilidade de sua utilização. Como legítimo recente blogueiro, considero que somente empresas desconectadas do mundo ainda não possuem um blog. Dá para acreditar que algumas chegam a bloqueá-los?! É rede social sim, mas blog é uma ferramenta que pode ser usada para inúmeros outros fins. Proibir blogs é indício de ditadura! Não pretendo discutir as vantagens de um blog, pois tornaria esta postagem maior que já está. Aliás, acho melhor encerrar por aqui.

Depois de ler este texto um tanto quanto polêmico, algumas pessoas podem até considerar que minha cabeça pode entrar em jogo na empresa onde trabalho, pois esta também impõe suas restrições e, aqui, defendo uma opinião controversa sobre tais regras. Pensem o que quiser. O fato é que sempre, na História da humanidade, arrumam um jeito de calar primeiro as vozes pensantes que podem influenciar um grupo a iniciar revoluções (ou novas soluções, dependendo do ponto de vista). Vozes só se calam em situações de censura, concordam? Ou agora serei proibido de dizer o que penso até no MEU blog?

Abaixo, sugiro dois links interessantes que também abordam o tema.

Para ler sobre os direitos da empresa, clique aqui.

E para ler a opinião de um chefe e de dois funcionários, clique aqui.
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