segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Palavras versus Imagem

“Bem, esse negócio de 'uma imagem vale mais que mil palavras' é razoavelmente verdadeiro em termos sensoriais muito básicos, quando, por exemplo, você tenta descrever minuciosamente uma paisagem ou, até mesmo, o seu retrato. Mil palavras, nesse caso, não dão nem para o começo... Mas é uma bobagem. 'Mil palavras' - mas quais palavras?

Se eu digo 'caos urbano', com duas palavrinhas já evoco no leitor um monte de lembranças visuais e sonoras, carros, prédios e multidão, sem precisar desenhar um único poste... Esse é o poder da palavra, de representar com muita facilidade qualquer coisa da experiência humana, seja abstrata, concreta, racional, emocional, relações, possibilidades... (O que nos leva àquela outra estupidez de considerar o texto 'racional' e a imagem 'emocional' - e atribuir, a cada um, um lado do cérebro... É coisa de gente com meio cérebro.)

Como desenhar o significado de 'talvez'? Nem com mil desenhos... A imagem tem o poder de apresentar dados direta e simultaneamente, o que, na escrita, e na fala, somos obrigados a fazer palavra a palavra, aspecto a aspecto...

HQ reúne imagem e palavra - e pode representar a experiência humana tanto sequencial (quadro a quadro, página a página, o texto escrito) como simultaneamente (o quadro, a página etc.).”

Trecho da entrevista que Spacca concedeu ao site Digestivo Cultural. O tema “Imagem versus palavras” sempre me intrigou e, por isso, já fiz até uma postagem para abordar um pouco (não tudo) sobre. Para ler a entrevista completa do Spacca, clique aqui.
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