domingo, 11 de outubro de 2009

FIQ 2009: quinto dia

Preparem-se. Esta deve ser a postagem mais longa do blog! E pode ter erros de português também, depois corrijo (cara-de-pau a minha, né?!).

Saí de casa com minha esposa com a intenção de acompanhar exclusivamente as mesas de bate-papo programadas para o sábado. Infelizmente, perdi as mesas do Rafael Grampá (autor de Mesmo Delivery) e de colorização. Mas, em compensação, nos divertimos com a mesa de Guy Delisle, o bate-papo sobre “scans e internet” e, por último, a mesa com Craig Thompson (autor de Retalhos).

É claro que entre uma mesa e outra, deixei minha esposa ver as exposições e os estandes, sempre apresentando para ela os artistas que circulavam pelo local. Muito massa!.

A mesa com o canadense Guy Delisle serviu para apresentar o autor, suas obras e um pouco de sua vida. Ele trabalhou primeiro com animações, para depois adentrar no mundo dos quadrinhos. Isso explica, por exemplo, porque seus quadrinhos lembram storyboards. A semelhança é intencional, já que procurou atender ao pedido de algumas editoras. No bate-papo, ele comentou sobre algumas de suas obras, sempre mostrando as fotos que usou como referência e as transformações que as capas de seus livros sofreram quando publicados em outros países. Pyongyang, por exemplo, teve sua capa bastante alterada na Noruega, pois os editores não queriam que a obra parecesse de quadrinhos (!).


Interessante também foi a explicação que Guy Delisle deu sobre a escolha da representação da estátua de Kim Il-Sung, fundador da Coréia do Norte comunista. Ele disse que poderia ter desenhado a estátua inteira na página. Mas preferiu dividi-la em três quadros, sendo que o primeiro exibe os pés da estátua, o segundo o torso e somente o último exibe a cabeça. Se tivesse feito o desenho de uma página inteira, teria exaltado a grandeza que os coreanos atribuem à estátua. A intenção era mostrar a sensação que um visitante tem ao se deparar com a estátua de 25 metros de altura. Ele disse que, ao chegar no aeroporto de Pyongyang, todos os passageiros do avião recebem flores. Mas, estas são para serem colocadas aos pés da estátua! Interessante, não? Guy Delisle utilizou seu site para ilustrar todos os assuntos que abordou durante o bate-papo. Recomendo a visita, principalmente, da seção extraits do livro Aline.

Na mesa, estavam o intérprete (não sei o nome dele) e o jornalista (qual o nome dele também?). Me impressionou a falta de uma pesquisa sobre o autor, por parte do intérprete. Ele não conhecia seus livros, senão teria traduzido Chroniques Birmanes para Crônicas Birmanesas antes que o jornalista tivesse de mostrar-lhe o livro. Aliás, até o jornalista vacilou um pouco, na minha opinião. Ele perguntou duas vezes se o autor tinha uma intenção jornalística ao produzir seus livros, sendo que Guy Delisle já tinha respondido “não” para a primeira vez em que foi questionado. Acho que o jornalista estava nervoso...

Tá bom, eu sei, essa foto ficou péssima...

A segunda mesa tinha um tema polêmico: “Scans e Internet: Impacto e Experiências”. Todos os participantes da mesa são contra os scans: Amauri de Paula (do site Quadrinho.com), Joe Prado (desenhista da DC) e Sidney Gusman (do site Universo HQ). O bate-papo foi bem humorado e encheu o teatro João Ceschiatti.

Para quem não sabe, scans é como se chamam as revistas e livros de quadrinhos que são escaneados e disponibilizados na internet, para download. Isso é pirataria, do mesmo modo como é feito com música e filmes. Existem muitos sites especializados em scans, que só não são fechados, segundo Sidney, porque as editoras são “bundonas” e não correm atrás de quem pratica a pirataria. Sidney também trabalha para o Maurício de Souza e disse que o pai da Mônica é o único, no Brasil, que consegue lutar contra a pirataria de seus quadrinhos na internet. Ele citou a Máquina de Quadrinhos, site que disponibiliza pacotes de imagens para montagem de histórias em quadrinhos da Turma da Mônica. Segundo ele, foi uma forma de se pensar num produto para a internet, que funcionou tão bem a ponto de Maurício de Souza já ter contratado duas pessoas para trabalhar como roteirista de seu estúdio.

Algumas pessoas da platéia deram sugestões de combate à pirataria. Nem todas as sugestões foram boas, mas algumas poderiam ser consideradas pelas editoras de quadrinhos do país.


O terceiro bate-papo era o mais esperado de todo o FIQ e, por isso, lotou o teatro. Até outros artistas estavam presentes: eu vi Rafael Grampá, João Marcos e Becky Cloonan, mas devia ter mais. Desnecessário dizer que Caig Thompson foi a grande sensação desta edição do FIQ. Quem leu as postagens anteriores deste blog sabe que até eu fiz tietagem em cima do cara. Eu não fui o único!

Na mesa, estavam Craig Thompson (é lógico!), o intérprete (sorry, não sei seu nome) e Bira Dantas (ô cara sortudo!). Bira abriu o bate-papo, comentando que ficou muito impressionado com o fato de sua filha de 9 anos ter chorado por não poder estar presente. Eu aproveito para fazer uma observação: quando é que as escolas vão perder o preconceito por quadrinhos e adotar Retalhos como livro paradidático? Bira disse que o livro tocou profundamente sua filha e que ele ficou impressionado com a arte-final de Craig Thompson.

Depois que muitas pessoas fizeram perguntas para o autor, eu tive a oportunidade de perguntar sobre o que mais impressionou Bira: a arte-final. Transcrevo minha pergunta, exatamente como a fiz:

“Do mesmo jeito que o Bira, eu também fiquei impressionado com a arte final de Retalhos. Eu gostaria de saber qual é o material que você utiliza. Eu vi em seu site, e também no FIQ, que você utiliza uma espécie de caneta-pincel. Eu quero saber até qual é a marca da caneta (nesse momento, provoquei risos na galera e aplausos do Bira, pois todos gostaram da pergunta). Também gostaria de saber quando seu próximo livro – o Habibi – ficará pronto. Você já tinha uma previsão de conclusão quando começou a prepará-lo?”

Craig respondeu que seu próximo livro ficará pronto dentro de um ano, mas não me respondeu qual é a marca de sua caneta. Ele disse que desenhava, no início de sua carreira, com canetas baratas. Mas depois, pôde comprar canetas mais caras. Disse que a vantagem de se usar canetas mais baratas é a possibilidade de fazer extravagâncias, sem dó. Costuma produzir uma página por dia, começando às 9h00 e terminando Às 17h00, com um intervalo para o almoço. Disse que seu próximo livro terá umas 700 páginas e que 500 já estão prontas. É possível ver algumas páginas do seu próximo livro em seu site e também na exposição do FIQ.


Eu queria perguntar mais coisas, mas não podia, pois muitas pessoas ainda queriam saber outras coisas. Craig disse que sua intenção não era falar de religião em Retalhos e que também não queria extravasar nem se libertar de nada quando produziu o livro. Comentou também sobre a reação de seus pais, que não gostaram do livro e que só o leram depois de seis meses. Foram contra a exposição da família nas páginas do livro. Voltaram a conversar somente durante uma viagem para Chicago. Na conversa, a mãe dizia que ele iria para o inferno Craig disse não acreditar em inferno. A mãe indagou como ele poderia acreditar em paraíso, se não acreditava em inferno. Craig respondeu que também não acreditava em paraíso (risos da platéia). Disse que a mãe ficou triste, deixando-o assim também. Já o irmão gostou muito do livro.

Perguntaram se Caig acredita em Deus. O autor disse imaginar Deus como uma força parecida com a de Star Wars (mais risos da platéia). Eu queria perguntar se ele voltou a encontrar a garota da história depois da publicação do livro, mas não pude. O intermediador anunciou que Carig precisava viajar no outro dia e que a sessão de autógrafos seria realizada no estande da Companhia das Letras. Isso despertou uma corrida para o estande. Eu também estava com o livro e corri, garantindo um dos primeiros lugares da enorme fila que se formou na tenda principal. A fila foi tão grande, que Ivan Brandom e Gabriel Bá resolveram filmar.

Era possível sentar na mesa em que Craig autografava e esperar, enquanto ele fazia o desenho da Raina na primeira página do livro. Eu perguntei se ele se lembrava de mim, do outro dia em que ele desenhou o Batman. Ele se lembrou e disse que foi por causa da ocasião. Bom, pelas fotos, é possível perceber a minha cara de bobo, né? Ganhei o segundo autógrafo do Craig. Dessa vez, foi no livro. Depois disso, o FIQ, para mim, já estava ganho! Esta, sem dúvida, foi a melhor das edições do FIQ!

Craig Thompson, no estande da Companhia das Letras

Eu, feliz! :-)
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