sábado, 10 de outubro de 2009

FIQ 2009: segundo e terceiro dias

O segundo dia do FIQ ficou marcado pela chuva violenta que invadiu cada estande do lugar, obrigando que todos recolhessem suas revistas para evitar o prejuízo de tê-las molhadas. Segundo relato das pessoas, parecia que a enorme tenda Eugenio Colonese havia se rasgado, durante o temporal, pois uma “cachoeira” tomou conta do lugar.

Se não fosse pelo bate-papo com Lancast, Rodrigo Rosa e Renato Canini, o segundo dia poderia tornar esta edição do FIQ uma das mais decepcionantes. A necessidade de reorganizar os estandes fez com que o público tivesse acesso à área de vendas dos quadrinhos somente as 18h00 do terceiro dia de realização do evento. Somente as exposições estavam liberadas. Sorte minha que cheguei às 15h40 passei raiva apenas no trânsito, no caminho para o Palácio das Artes.

No terceiro dia, minha intenção era participar da oficina dos gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá, que começaria às 16h00, mas começou quarenta minutos depois! Perdoável! Quem me conhece sabe a admiração que tenho pelos caras. Eles começaram como todo fanzineiro, produzindo e vendendo cópias de seus quadrinhos, em eventos como o FIQ. Hoje, são astros dos quadrinhos, pois publicam e são reconhecidos no exterior, sem a obrigação de aderir ao estilo mais comercial dos super-heróis americanos. Ambos podem, agora, escolher o que desenhar e produzir suas próprias histórias. Eles são inspiração para qualquer pessoa que sonha em viver de quadrinhos.

O tema da oficina foi “Como contar uma história... em quadrinhos”. Os gêmeos reforçaram a ideia que eu mesmo pude abstrair das minhas várias leituras: qualquer história pode ser contada em forma de quadrinhos. O importante não é saber desenhar, mas saber contá-la, pois, segundo eles, desenhar é fácil! No início da oficina, deixaram claro que a aula não seria de desenho (luz e sombra, perspectiva, anatomia etc). Sendo assim, a oficina seguiu com exercícios práticos sobre roteiro. Deram dicas bacanas sobre a relação entre tamanho de um quadro e o tempo em que um leitor fica preso nele. E sobre a quantidade de texto de um balão, que também influenciará no tempo de leitura de cada quadro. Falaram da importância em se destacar uma frase do texto, através do uso de um balão exclusivo, exemplificando com uma passagem da adaptação do álbum Alienista, de Machado de Assis. Pediram aos participantes que produzissem uma HQ de uma página que contasse a história de um telefone que “tocou novamente e quando atendi, não era meu amor”. Bom, contar tudo que aconteceu na oficina resultaria numa postagem muito grande...

Fábio Moon e Gabriel Bá no Teatro João Ceschiaiti.

O revezamento entre eles é interessante! Ora um fala, ora o outro...

Durante a oficina, alguns profissionais ligados à área de HQs entravam no teatro João Ceschiatti, para conferir a aula dos gêmeos: o jornalista e editor Sidney Gusman (do site Universo HQ), Craig Thompson (autor de Retalhos) e Ivan Freitas, que
até participou da oficina como aluno. Entrementes, alguns alunos se esforçavam para mostrar seus talentos. A menina que estava na minha frente fez um desenho maravilhoso dos gêmeos, enquanto eles explicavam suas ideias.

Participar das oficinas que o FIQ oferece nunca foi fácil. Tive muita sorte, pois recebi confirmação de inscrição somente para uma das oficinas: a da Teresa Valero, programada para o quarto dia do FIQ. Mas, muitos que se inscreveram para a oficina dos gêmeos não estavam presentes! E muitos que não estavam na lista dos vinte selecionados estavam na porta, doidos para entrar no teatro. Eu era um deles. Felizmente, pude entrar junto com a galera. Adorei ter participado.

Assim que a oficina acabou, os estandes já estavam liberados para o público, num espaço totalmente redesenhado. A Livraria Leitura parecia menor e o Supermercado Ferraille foi para os fundos.

Fábio Moon e Gabriel Bá já estavam no estande 10 Pãezinhos. Lá, comprei o álbum Pixu e ganhei autógrafos de todos os autores: além dos gêmeos, da italiana Becky Cloonan e do grego Lolo Vasilis.

Fábio e Gabriel autografaram meu exemplar.

Da esquerda para a direita: os três assistentes do estande 10 Pãezinhos, Ivan Brandom (de óculos) e Becky Cloonan (de chapéu). Deu para entender?

Enquanto isso, Craig Thompson andava pelo local. Prometo que ainda ganho um autógrafo dele!

Muitos artistas estavam presentes nesse dia. Encontrei Ivan Freitas, Adão Iturrusgarai, Ciça Fittipaldi, Renato Canini, Bira, Rafael Albuquerque, entre outros. Havia também várias emissoras de TV (Alterosa, PUCTV, MTV etc). Os jornalistas presentes me fizeram rir um bocado, com suas perguntas. Alguns mostraram-se despreparados, pois nem conheciam o trabalho de todos os artistas. Chegaram a me perguntar: “Qual é o nome dele mesmo?”. Incrível! Pude acompanhar a entrevista que Rodney Buchemi (professor da Casa dos Quadrinhos e desenhista do Hércules da Marvel) concedeu a uma das emissoras e me surpreendi com a pergunta: “Você tem algum personagem próprio?”. Será que perguntaram isso para todos os artistas? Imagina perguntar isso para o Adão Iturrusgarai ou para o Ivan Freitas... Hahaha!

Rodney Buchemi (ele já deu aula pra mim!)

Algo que também me surpreendeu foi encontrar a revista Subversos #4 no estande do Quarto Mundo. Eu já estava participando do FIQ e não sabia! A revista está sendo distribuída de graça, galera! Compareçam! Tem uma história minha lá, gente!

Que venha o quarto dia do FIQ!
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