terça-feira, 13 de outubro de 2009

FIQ - Como foi a oficina de Teresa Valero

Para encerrar minha espécie de cobertura (bem subjetiva) do FIQ, contarei como foi a oficina com Teresa Valero, cujo tema foi: “Do texto às imagens” e “Como apresentar o seu projeto de quadrinhos para uma editora”. Aconteceu no dia 9, na sexta-feira, com atraso de uma hora. Mas não reclamo. Se não fosse pelo atraso, eu não teria a sorte de dividir a mesa do café com nenhum artista.

Enquanto não arrumavam uma sala onde a oficina pudesse acontecer, Teresa Valero esperava, conversando com sua intérprete. Seu marido, Juan Díaz Canales, já estava em outra sala, onde ministrava outra oficina, cujo tema foi “A Construção de um Roteiro” e “Quadrinhos Realista x Comédia e Humor”.

Teresa Valero (à esquerda) esperava por uma sala para começar sua oficina. Enquanto isso, os participantes também aguardavam ansiosamente...

Para quem não conhece, Teresa Valero é uma roteirista espanhola que criou, em 1966, junto com o marido, o estúdio de animação Tridente Animation. Ela é também professora de storyboard na Universidade de Madrid Sorcellerie. Seu primeiro álbum foi ilustrado pelo desenhista da série Blacksad, Juanjo Guarnido.

Na oficina, ela apresentou o projeto de seu novo trabalho, chamado Curiosity Shop, ilustrado pela desenhista Montserrat Martin. Trata-se de um álbum, que possivelmente será publicado na França. O projeto foi apresentado, na oficina, através de projeções de suas páginas pelo computador, mas também estava presente (na forma impressa) e circulou pelas mãos dos participantes.

Logo no início, foi possível perceber que o tema seria voltado para o mercado editorial francês, realidade que Teresa mais conhece. Mas, a maioria das ideias sugeridas por ela se adapta para o mercado brasileiro. Aqui, também pode ser entregue a uma editora tudo que é feito para apresentar um trabalho que se quer publicar na França. O projeto de Curiosity Shop foi enviado para a Dargaud Editora, em formato pdf, com sinopse da história, número de páginas previsto, público-alvo, descrição dos personagens e amostra de algumas páginas finalizadas. Ela ressaltou que projetos como esse devem ter muitos desenhos, já que almejam um produto extremamente visual.

O mais curioso da oficina foram as informações trazidas por Teresa sobre o mercado francês. Ela disse que uma banda desenhada costuma ter entre 42 (se a obra é infantil) e 44 páginas (para obras adultas). Editoras só costumam aceitar 54 páginas se o tema da história é mais complexo e se o autor é consagrado.

As obras costumam ser divididas em tomos. Inicialmente, se a obra e os autores são desconhecidos, as editoras planejam três tomos. Mas podem publicar mais tomos se a obra vender satisfatoriamente. Disse que é comum editoras francesas cancelarem um trabalho. A editora Soleil é a que mais faz isso. É a editora que publica mais títulos, mas todos os leitores que conhecem a editora temem acompanhá-los, pois não têm garantia de que serão continuados.

Teresa disse que é inviável publicar na Espanha. Até as editoras espanholas preferem publicar os livros das francesas. Enquanto editoras espanholas pagam 7 euros por página roteirizada e desenhada para um quadrinista espanhol, as francesas pagam, por página, 70 euros para roteirista e 150 para desenhistas. Esses valores podem ser maiores conforme o nome dos artistas. Os artistas só recebem royalties de suas obras depois de 15 mil exemplares vendidos. Na Espanha, as tiragens costumam ser bem menores, não ultrapassando a quantidade de dois mil exemplares.

Teresa anotou, no quadro branco, o nome de algumas editoras francesas e disse que todas podem ser encontradas no fórum Artbox (em espanhol), inclusive com a tabela de preços por páginas estabelecidas por cada uma. O fórum é muito bom!

Nos minutos finais, Teresa fez comentários breves sobre alguns tópicos da apostila que entregou no início da oficina. A apostila contém esquemas sobre a produção de um roteiro. A aula foi recheada de perguntas. Ninguém queria ir embora de tão interessante que estava! Gosto muito de sair com a sensação de que aprendi ou descobri coisas novas. Eu aproveitei muito!
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