quinta-feira, 20 de maio de 2010

Tem Quadrinhos na Bienal do Livro de Minas 2010


O Brasil ainda está longe de realizar festivais como os que existem na Europa e nos Estados Unidos, dedicados exclusivamente aos Quadrinhos. O maior evento da América Latina é o FIQ, que tem melhorado a cada ano, quase se igualando ao Comic-Con (San Diego, EUA) ou ao Festival de Angoulême (França).

Apesar de ainda sofrer de preconceito, os Quadrinhos têm recebido atenção maior de editoras e conquistado mais leitores. As pessoas estão descobrindo que existem quadrinhos para várias idades e outras histórias além das de super-heróis. É lucrativo para as editoras vender para o governo adaptações de obras literárias para os Quadrinhos, assim como também é vantajoso para os autores produzir essas adaptações, pois muitas editoras pagam adiantado.

Uma das provas de que os Quadrinhos têm ganhado mais respeito é o fato de terem sido incluídos na programação da Bienal do Livro de Minas de 2010. Nessa edição, quadrinhos podem ser encontrados no catálogo de várias editoras presentes no evento, tais como Panini, Devir, Desiderata, L&PM Editores e Companhia das Letras, além das lojas especializadas como as da Leitura Savassi e da Comix Book Shop.

Comix Book Shop

Companhia das Letrinhas

A Panini possui um catálogo imenso, mas parece oferecer apenas Turma da Mônica

Até no Carro Biblioteca tinha quadrinhos: Caatinga, de Hermann Huppen

Na quarta-feira (19/05), na Arena Jovem, um debate sobre “Como casar texto e imagens nos quadrinhos” contou com a presença de três grandes nomes da Nona Arte:
  • Wellington Srbek (Solar, Estórias Gerais, Muiraquitã, Apócripha...)
  • Spacca (Santô e os pais da aviação, Debret, D.João Carioca, Jubiabá...)
  • Marcelo Lélis (O mercador de coisa nenhuma, Cidades do Ouro, Saino a Percurá...)

Eu estava presente e confesso que me decepcionei um pouco com o tempo de duração do debate. Começou às 17h, mas foi encerrado por volta de 18h, sem razão aparente. Até os autores não entenderam, pois o tempo voou e muito mais poderia ser discutido. Todos estavam gostando e se pudessem, fariam mais perguntas. Não havia nenhuma outra atração agendada na Arena para justificar a conclusão repentina.

O debate reuniu poucas pessoas na plateia. Eu cheguei uma hora antes para garantir a minha senha, pressupondo que o lugar ia ficar lotado. Havia mais jovens e alguns profissionais da educação interessados pelo assunto. Era nítida a falta de familiaridade de algumas pessoas com os Quadrinhos, mas o fato de estarem lá é ótimo, pois comprova como os quadrinhos têm conseguido chamar a atenção de um público novo.

Os autores iniciaram o debate, se apresentando para o público e exibindo alguns de seus livros. O Srbek era o único que não tinha livro para mostrar, apesar de já ter produzido várias obras. Eu estava com o meu exemplar guardado na mochila e decidi mostrar para todos, me consagrando o único que tinha um livro do autor no local! Aêêêêêe! hehe \o/

Quando tive a oportunidade, decidi perguntar para os três se eles vêem Quadrinhos como Literatura. Spacca e Srbek, rapidamente, responderam um “não” bem firme. Lelis disse que “Quadrinhos é uma forma de arte diferente”. Confesso que me surpreendi com a resposta deles.

Também falaram de pirataria na Internet. Srbek disse que ficou muito triste quando viu seu livro, Estórias Gerais disponível para download em sites de pirataria. Spacca disse, aliás, que o problema da publicação de quadrinhos na Internet envolve a questão dos direitos autorais. Sobre a publicação de seu tabalho, o autor disse que recebe apenas 5% da venda de seus livros (a família de Jorge Amado, no caso de sua adaptação, Jubiabá, também recebe 5%).

Os autores comentaram que o mercado brasileiro de quadrinhos tem melhorado muito, principalmente, após a iniciativa das editoras de incluir Quadrinhos em seus catálogos. Questionado sobre as tirinhas nos jornais, Spacca disse que não são as tirinhas que estão sumindo dos jornais. “As tirinhas são um tipo de quadrinhos que nasceu para o formato do jornal”. Infelizmente, o jornal é que está em crise e, por isso, tem diminuído o espaço para publicação das tirinhas.

Resumindo, gostei muito do debate! Não houve tempo para tudo que poderia ser discutido, mas ainda ssim, gostei. Srbek falou pouco sobre a adaptação de Brás cubas, de Machado de Assis. E Spacca nem citou a adaptação que está preparando: As barbas do Imperador, de Lília Schwarcz. Após o debate, consegui autógrafo nos livros que levei e tive a chance de bater um papo bem legal com Srbek. Quem acompanha meu blog sabe que, desde o início, o blog de Wellington Srbek está no meu blogroll. É porque gosto muito do trabalho dele! Tenho Alienz, Mirabília, Apócripha, Solar, Muiraquitã e Estórias Gerais. Este último livro, agora, autografado! Tô mó feliz, hehe! :-D


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