quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Como foi minha participação no 7º FIQ



Como começar a contar minha experiência no 7º Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte? Dizer que foi sensacional é pouco. É preciso usar um palavrão que expresse melhor a tamanha sensação de alegria que levo no peito: foi ducar@#*! Neste ano, não pude fazer uma descrição do evento a cada dia, como fiz na edição anterior, mas, em compensação, neste único post, vou contar tudo sobre o que achei do FIQ. Tudo mesmo! Até detalhes que ainda tenho dúvida se eu deveria tornar públicos. Preparem-se para um post longo.
Para começar, lamento muito que o roteirista Vagner Francisco não possa ter comparecido ao evento. Muitas pessoas perguntaram por ele: artistas que já o conheciam de longa data e pessoas que adquiriram a edição que lançamos juntos no Festival. Contar para ele sobre a reação de quem lia a história de Val: o Consultor de Relacionamentos não é a mesma coisa que ver de perto as risadas que as pessoas davam ao folhear a revista. Muita gente gostou e voltou só para indicar aos amigos, dar um feedback e até comprar mais um exemplar.
Sobre o espaço da Serraria Souza Pinto, posso dizer que estava maravilhoso, vermelho e lindão! Em vez de estande, fiquei numa mesa, bem no meio da Serraria, o que achei ótimo! Minha esposa e eu improvisamos um letreiro onde pude destacar o nome “Consultores de Relacionamentos”, que serviu para atrair a atenção de muitos curiosos. Várias pessoas me perguntaram qual era o significado e muitas outras chegaram a desabafar de verdade sobre seus problemas sentimentais. De quebra, acabamos oferecendo conselhos para pessoas que tiveram problemas com namorado, garotos que não sabiam como conquistar uma garota, casais em crises, entre outros. Sorte minha ser casado com uma psicóloga!

Minha parede, com os pôsteres que mandei imprimir para enfeitar meu cantinho no FIQ.
Fiquei ao lado do grande Raphael Salimena e da galera do Fórum de Quadrinhos do Ceará. O Raphael chegou no terceiro dia e só pude cumprimentá-lo rapidão. Somente no domingo, quando se despediu de mim, é que pude trocar mais palavras com ele. É uma pena, pois eu gostaria muito mesmo de bater um papo e conhecê-lo melhor. Já com a galera do Ceará, tive bastante tempo para convívio e muitas risadas. Luiz CS, Diego José, Marcus Rosado, Geraldo Borges, Solange Pitombeira, Zé Wellington e Zelito são gente finíssimas e muito talentosos! A mesa deles estava recheada de publicações excelentes, com preços bastante acessíveis. Foi muita sorte minha compartilhar o espaço com artistas tão bons!

Eu, Diego José (posou de Val) e Marcus Rosado no fundo.
Eu não consegui visitar todos os estandes, nem participar de várias atividades que rolaram por lá, mas recebi em minha mesa a visita de grandes nomes da área dos quadrinhos e da ilustração, a começar pelo ilustrador Nelson Cruz, que admiro muito. Foi uma grata surpresa descobrir que o Nelson que se interessou pelos meus trabalhos era o Cruz que faz ilustrações belíssimas em livros como O caso do Saci e No Longe dos Gerais (Cosac Naify), Alice no Telhado e Os Herdeiros do Lobo (Edições SM) e Moby Dick (Ediouro). Na emoção do momento, até me esqueci de fazer uma dedicatória no exemplar que dei para ele. Que mancada!
Também vieram a minha mesa grandes nomes como Alzir Alves e Ricardo Jaime, Anderson Sena e Vicente Reis (Quadro a Quadro), Rafael Pires e Rebeca Prado (olhem que maneiro o site deles: R2P2), André Caliman (Quadrinhópole), Saravá, o jornalista Paulo Ramos (o cara é muito legal) e também Valdo e Cris Bolson (foi muito legal este último apertar minha mão, pois tive aulas fantásticas com ele na Casa dos Quadrinhos), Alex Diates e Gio Vieira (Kaplan Project Comics) e a galera do Estúdio Black Ink. E, somente no último dia, é que consegui visitar o estande de Abel, Raphael Fernandes e Fábio Turbay, de quem faço questão de sempre acompanhar as novidades, e da galera do 4Mundo, onde conversei rapidinho com Will, Marcos Venceslau e Daniel Esteves.
O FIQ compensou um ano inteiro de trabalho que levei para produzir a revista “Val: o Consultor de Relacionamentos”. No início, quando Vagner Francisco me procurou, a intenção era publicar a história inteira na Internet. Mas, quando eu soube da proximidade da data de realização do festival, sugeri ao roteirista que imprimíssemos para lançar e vender no evento. O problema eram as cores que eu já havia aplicado nas páginas, que encareceriam muito a impressão. Mas desistir delas empobreceria muito os desenhos que já estavam finalizados. Sendo assim, decidi fazer a edição inteira a cores, contraindo uma dívida de quatro mil (!) reais na gráfica. Foi um ato considerado corajoso (ou louco) por muitos autores que visitaram minha mesa durante o festival, pois a maioria prefere fazer uma edição em tons de cinza e com poucas páginas para baratear o custo da impressão. A minha revista, então, foi uma das poucas publicações independentes que não se encaixavam nesse padrão adotado pela maioria. Para a próxima edição, vou pensar muito antes de fazer uma impressão colorida de novo. Aprendi.
Eu considero impressionante o resultado de vendas da revista que lancei no festival. Nos três primeiros dias, talvez por conta da excursão de muitas escolas, não vendi nem 50% do que eu deveria vender para dar conta de pagar a dívida enorme que adquiri na gráfica responsável pela impressão da revista. Mas os dois últimos dias, no fim de semana, foram suficientes para garantir que duas (das três) parcelas da minha dívida sejam pagas.  Ou seja, eu teria conseguido pagar mais uma grande parte se tivesse mais um dia de evento como o sábado ou o domingo que, juntos, superaram o recorde de público das outras edições do evento. Foram 40 mil pessoas no sábado e 45 mil somente no domingo. O número de público da edição de 2009 do FIQ foi 75 mil pessoas. No fim de semana, a Serraria Souza Pinto ficou lotada! E a organização do Festival já anunciou que bateu o recorde: 148 mil visitantes!
Para vender minha revista, me sacrifiquei a ponto de fazer poucas pausas somente para um lanche rápido e banheiro. No fim de semana, nem almocei. Para que as pessoas se interessassem, desde o primeiro dia, ofereci de brinde três exemplares da Revista A TURMA para quem comprasse a revista “Val: o Consultor de Relacionamentos”. Mas o que fez com que as vendas aumentasse foi oferecer no pacote uma caricatura desenhada à jato dos filhos que acompanhavam os pais ou até mesmo da família inteira. E, a partir dessa decisão, surgiram os momentos que mais me marcaram no FIQ.
Apesar de vendas ser algo que eu precisava priorizar, meus ganhos foram maiores que qualquer quantia em dinheiro possa pagar! Eu já sabia que o FIQ representaria uma chance de fazer contatos importantes com autores e jornalistas presentes, mas as experiências mais incríveis surgiram a partir da relação que estabeleci com quem pasou por minha mesa. Com o público bastante diversificado, várias pessoas (de todas as idades) elogiaram o meu trabalho e saíram felizes com o desenho que fiz para elas. Vi amigos rirem de suas caricaturas, crianças comemorarem ao se verem desenhadas e famílias inteiras dizendo: “Uau, ficou muito parecido, você desenha muito bem!”. Um dia, até ganhei um beijo de uma garotinha que ficou super feliz com a sereia que desenhei para ela.

Duas das caricaturas que fiz no Festival. A última é do Davi Fiqueiredo.
Eu me surpreendi comigo mesmo, pois apesar de acreditar que caricatura nunca foi o meu forte, eu consegui fazer mais de duzentas, usando apenas uma caneta nanquim descartável de ponta 0.5, sem usar lápis e borracha para rascunhar antes. Só Deus para me explicar de onde tirei tanta força para desenhar. No final da noite de sábado, minha mão estava até inchada, de tanto que desenhei.  Mas o prazer de ver a galera sorrir ao ver os desenhos me ajudava a superar qualquer dorzinha na mão. Sem mencionar que se tratava de um excelente exercício de desenho que me permitiu observar vários detalhes interessantes sobre o rosto humano! Ver a felicidade que meus desenhos estavam causando nas pessoas me deixava mais feliz, mais confiante e mais certo de que tudo estava valendo a pena. Os sorrisos e comentários eram as formas mais sinceras de pagamento e agradecimento que eu poderia receber. Conheci pessoas com histórias incríveis, que acabaram se tornando minhas amigas de imediato e com as quais eu adoraria manter contato sempre. Peço até desculpas para algumas que foram me ver, mas para as quais não consegui dar a devida atenção. Foram muitas pessoas que passaram pela minha mesa à espera de suas caricaturas, formando fila e esperando pacientemente, enquanto eu procurava atendê-las com a consideração que mereciam.
Para  encerrar esse post longo, quero agradecer algumas pessoas especiais que me ajudaram muito a realizar um belo trabalho no FIQ. Pelo regulamento do festival, eu não poderia deixar minha mesa vazia um momento sequer. Deveria sempre deixar alguém no meu lugar, enquanto ia ao banheiro ou fazia um lanche rápido. Quem foi, conheceu minha esposa, minha irmã e minha mãe, que me deram uma ajuda tremenda. Sem essas pessoas, que sacrificaram seus dias para me dar apoio, eu não teria conseguido o sucesso que obtive. Até meu sobrinho me ajudou, apresentando o meu trabalho para as pessoas que se aproximavam da mesa. Enquanto eu me concentrava nas caricaturas, essas pessoas maravilhosas vendiam minha revista e controlavam a fila de pessoas que aguardavam sua vez de serem desenhadas. Eu ainda não sei, sinceramente, como agradecer a essas pessoas. Num momento tão importante de toda minha carreira como ilustrador, elas me deram todo o suporte de que eu precisava. Amo muito esses anjos!
Por tudo isso, o FIQ me deixou com um gostinho de “quero mais” e muito empolgado! Já saí com planos para o próximo, que será realizado em 2013. Tenho um bom tempo para me organizar e preparar um material tão bacana quanto as revistas que ofereci em 2011. Estou planejando vender pela internet a revista que lancei  e logo mais vocês saberão como. Quero agradecer às pessoas que me ajudaram a divulgar minha participação no FIQ* e também a você, que foi lá, prestigiar o meu trabalho. Nos veremos no próximo FIQ. Se Deus quiser!

Crachá que usei no FIQ. Vou guardar de lembrança!
Quem quiser ver mais imagens, pode conferir o álbum que criei, clicando aqui.
*Obrigado a Rádio UFMG, que me entrevistou no Festival, a Editora EMT, ao Projeto Continuum, ao Universo HQ e ao Impulso HQ, que divulgaram o lançamento da minha revista em seus sites e Muito obrigado também para as equipes de redação dos jornais de Nova Lima: A Notícia, Mãos à Obra e Jovem.com. Valeu!
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